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Nosso editor bate um papo com Anderson Carvalho Silva, mais conhecido como “Peixe”, o remador mais alto-astral do Brasil

Anderson “Peixe”, medalha de ouro em simpatia. Foto: Luciano Meneghello

Se o Sul-Americano de Va’a realizado em Cabo Frio (RJ) no último mês de novembro oferecesse uma medalha de ouro pra categoria “simpatia”, tenho certeza de que muitos vão concordar comigo de que o vencedor seria o paraense Anderson Carvalho Silva, mais conhecido como “Peixe”.
Com uma energia admirável, Peixe alegrou os competidores fazendo diversos ‘lives’ ao longo de todo evento. Mas o que pouca gente viu foi que ele, acompanhado de seu amigo, o remador Jorge Freitas, tomaram a inciativa de reparar todas as canoas que iam sendo avariadas ao longo da prova, prestando uma grandiosa ajuda aos competidores.
Morando no RJ há onze anos, mas sem romper os laços com seu querido Pará, na entrevista a seguir ele conta um pouco de sua história.

Como foi o seu primeiro contado com esportes de água?

Eu fazia trilhas no morro da Urca (Rio de Janeiro) e um dia, num desses passeios, vi uma pessoa remando de stand up paddle. Fiquei curioso e resolvi experimentar. Subi e não desci mais!

Foi paixão à primeira remada…

Foi. E eu logo foquei em competir. Comecei a remar direto em Itaipu com ajuda dos amigos do Supnikity (Niterói). Faz três anos que comecei a remar de SUP. Nos dois primeiros, eu experimentei todas as modalidades e participei de vários eventos. Devo muito aos amigos! (enfatiza). Esse ano eu foquei no SUP Race.

Peixe durante o Aloha Spirit Cabo Frio. Foto: Ale Socci.

Você é do Pará, certo?

Sou. Estou no Rio de Janeiro há onze anos entre idas e vindas. Me mudei pro Estado para trabalhar em uma refinaria e optei por morar em Itaipu, Niterói, porque é uma região oceânica.

Notei que você ainda mantém uma relação bem forte com seu estado natal.

Sim. Eu comecei a pesquisar no cenário das competições nacionais, remadores do meu estado pra gente fazer uma ponte e se aproximar para levar o nome do Pará nos eventos. O Sudeste é muito forte no SUP e no Va’a, mas no Norte não encontrei muita gente, então comecei a levar a bandeira do estado pra todas as competições em que participava.

E falando em Pará, eu preciso falar do pessoal da Canoa Paidégua, que faz um excelente trabalho de divulgação do Va’a no Estado.) Eles me convidaram pra fazer uma expedição de e lá a gente começou a fazer um trabalho forte pra divulgar a modalidade.

E o Igor, que encabeça o projeto com o João, Neto e Ana Lu, tiveram a ideia de levar uma guarnição para as etapas do Aloha Spirit Festival. Começou com uma e hoje estamos com quatro! No Aloha Spirit Cabo Frio foram 28 pessoas da delegação do Pará.

Com três representantes no SUP : Leila Solon, Zanna Guedes e Luciana Dantas.

Com a galera da Coana Paidégua durante va’a no Rio Tapajós. Foto: Reprodução / Canoa Paidégua

Antes de remar de SUP você praticava algum esporte?

Eu sempre fiz atividade física, jogava futebol, patins in line, mas nunca fui competidor. Esse lado despertou em mim após começar a remar de stand up paddle.

Foi aí que surgiu a ideia do “Peixe Sup Race”? Explica esse conceito.

Eu comecei a me dedicar e a me envolver com o esporte, e desde o primeiro momento pensei em trazer amigos para dentro do esporte. Eu logo cortei as baladas, bebidas, e comecei a incentivar meus amigos a fazerem o mesmo. Não sou santo, bebo minha cervejinha, mas foquei no esporte e fui mostrando esse caminho para as pessoas. As coisas começaram a dar certo. Apareceu muita gente boa no meu caminho ao longo de minha trajetória.

E a parceria com a base, como surgiu?

Então, quando eu comecei a chamar o pessoal pra remar comigo e praticar o esporte, conheci o trabalho do Jorge Freitas com os Para-atletas, e logo me juntei ao formato e comecei a treinar no Va’a,  e o SUP veio comigo para fazer parte do Espaço Va’a Jorge Freitas, em Niterói e deu super certo.

Peixe ao lado de seu amigo e pareceiro Jorge Freitas. Foto: Arquivo pessoal

E o apelido de “Peixe”?

Eu ganhei esse apelido do pessoal que trabalhava comigo na refinaria. Porque quando eu não estava trabalhando, eu estava na água!

E aí você incorporou o “Peixe” ao SUP Race…

Sim. Eu larguei o trabalho na refinaria e passei a me dedicar totalmente ao esporte. Comecei a fazer reparos de pranchas e canoas e aí que para conseguir me bancar nas competições eu tinha que ter uma renda extra segui a ideia de um amigo (Charles, da Nabil Esportes ), que foi criar uma marca e comercializar camisas e bonés com a marca ‘Peixe Sup Race’ e a galera curtiu e entendeu que adquirindo um produto estaria financiando um atleta junto aos eventos no Brasil.

Peixe reparando as canoas avariadas durante o Sul-Americano de Va’a. Ele e Jorge Freitas tomaram a inciativa de forma espontânea. Foto: Arquivo pessoal

Falando em competições, você salvou muita gente durante o Sul-Americano de Va’a reparando as canoas avariadas ao longo do evento. Como que foi isso?

O João Castro fez um ‘ao vivo’ falando sobre as dificuldades pra realizar o Sul-Americano e o Jorge (Freitas) foi uma das primeiras pessoas a se apresentarem pra ajudar a viabilizar o evento oferecendo sete canoas V1 e também uma OC6. Isso ninguém sabe, mas a gente trabalhou dia e noite pra reformar as canoas e deixá-las prontas pros competidores usarem na competição. Foi a maior correria. Na viagem pra Cabo Frio perdemos uma, que caiu na estrada e ficou destruída.

As canoas são da marca Nelo, que são muito rápidas, porém bem frágeis e eu pensei que seria importante ter também um apoio para realizar reparos ao logo do evento.

A princípio eu levei um material pensado em reparar as nossas canoas. Não combinei nada com ninguém. Só que logo no primeiro dia, vendo aquela situação, em que várias canoas estavam com avarias, pedi licença à CBVAA e ao organizador, e comecei a reparar as canoas com o apoio do Jorge Freitas.

Foram seis dias de muito trabalho, mas no final deu tudo certo e fico feliz por ter ajudado com a realização do Sul-Americano, que a meu ver, mesmo com as criticas, pois sempre há pontos negativos, foi um grande sucesso.

Os ‘lives’ do Peixe são um capítulo à parte. Foto: Luciano Meneghello

Outra coisa que agitou a galera no Sul-Americano foram as ‘lives’ que você fez ao longo do evento. Como surgiu a ideia?

Cara, essa história do ‘live’ é interessante. Teve uma competição que eu não pude comparecer e durante o evento não tinha nenhuma informação sobre o andamento das provas. Procurei na internet, nos grupos de whatsapp e ninguém sabia de nada. Então eu falei pra mim mesmo: “Quando participar da próxima competição vou fazer uns ‘lives’ pra informar a galera”. E você acredita que a coisa deu tão certo que me ajuda inclusive a relaxar aquela tensão pré prova, porque enquanto alguns ficam concentrados, eu fico fazendo os ‘lives’, conversando e brincando com a galera e isso me deixa leve pra fazer a minha prova. O pessoal está curtindo e já temos outros projetos pra colocar no ar em breve!

Em 2019 teremos o Peixe na equipe do Aloha Spirit?

Pois é! O João (Castro) fez o convite para eu integrar a equipe de atletas apoiados pelo Aloha Spirit Festival e eu fiquei muito feliz com o convite. Ano que vem estarei participando dos eventos como um dos atletas da equipe Aloha. Já curto muito a vibe do festival. Quando acaba o eu fico procurando onde está o ‘botão de rebobinar’ para voltar no tempo e viver toda a vibe de novo! (risos) Fiz muitos amigos nas provas do Aloha e tem gente que eu só encontro lá. Então, eu já sou um apaixonado pelo festival e agora fazendo parte do time estou muito feliz.

Pra encerrar, manda um recado pra galera do Aloha Spirit Club!

Seja corrida, futebol, trilha ou remo, coloque um esporte na sua vida! E cuide de sua alimentação! Falando nisso, encerro com uma frase muito boa que ouvi de uma amiga: “Desembalar menos e descascar mais!”.

Instagram @peixesupraceoficial

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