Privatização do Pacaembu: Nadadores lançam manifesto

Nadadores se reúnem na piscina do Pacaembu, em São Paulo (SP), para pedir mais clareza no processo de privatização e garantias ao acesso público
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Nadadores fazem abraço simbólico na piscina do Pacaembu. Pouca informação sobre a concessão do complexo esportivo preocupa. Foto: Arquivo pessoal

Mais conhecido por seu estádio de futebol, o Pacaembu, em São Paulo (SP), é, na verdade um complexo esportivo de uso público que tem 75.898 metros quadrados abrigando uma série de quadras e uma piscina aquecida com arquibancada para 2.500 pessoas e padrão FINA – Federação Internacional de Natação.

Em setembro de 2019, o Pacaembu foi concedido à iniciativa privada por 35 anos. O projeto prevê mudanças no estádio, mas não existem informações precisas sobre qual será a situação do Complexo Esportivo e ao uso dos equipamentos, entre eles, a piscina.

Por conta dessa situação, um grupo de nadadores frequentadores do Pacaembu, amparados por atletas de renome, organizaram um protesto pacífico no último dia 30/11 e um manifesto onde pedem acesso às informações e garantias de que o acesso e o uso dos equipamentos do Complexo Esportivo permanecerão tal como sempre foram.

Confira abaixo o manifesto na íntegra:

Manifesto sobre o Complexo Esportivo do Pacaembu e sua Concessão à Iniciativa Privada.

Em primeiro lugar, queremos nos apresentar: somos nadadoras amadoras na modalidade águas abertas, e há anos frequentamos o Pacaembu para fazer nossos treinos de piscina antes de nossos desafios e travessias, assim como muitos atletas amadores de nossa cidade.

O que está ocorrendo

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Nadadores temem que a cidade de São Paulo seja privada de mais um espaço de lazer e prática esportiva. Foto: Arquivo pessoal

O Pacaembu foi concedido à iniciativa privada em 16/09/2019, em um processo com consulta pouco divulgado à população da cidade e seus usuários (de 29/03 a 18/04/2019), e até o momento, não existem informações precisas e públicas de como ficará a situação do Complexo Esportivo principalmente no que se refere ao uso dos equipamentos, entre eles, a piscina.

Está previsto para o aniversário da cidade a entrega definitiva ao consórcio, em meio a cada vez mais denúncias de erros durante o processo. Entrementes, não foi dada para a população nenhuma garantia formal de que o acesso e uso do Complexo Esportivo será público como prevê as normas vigentes.

O que queremos/esperamos

Queremos informações e garantias da Prefeitura e/ou dos Órgãos Públicos competentes e do Consórcio, de como se dará o uso aos equipamentos Complexo Esportivo em 2020, para não sermos surpreendidos com o definitivo fechamento da piscina.

Pedimos portanto:
  • 1- A revisão do ponto do contrato, que dispõe que o Complexo ficará aberto à população apenas por 5 horas semanais.
  • 2- Garantias mínimas da Prefeitura/Órgãos Públicos/Concessionária de que enquanto os trâmites judiciais não forem aprovados para a reforma das instalações, a manutenção, o acesso e o uso dos equipamentos do Complexo Esportivo permanecerão tal como está.

Como pretendemos alcançar isso

Realizamos no dia 30/11/2019 um desafio/treino aberto a todos os usuários no qual conseguimos reunir cerca de 150 usuários, entre eles 46 crianças e adolescentes da Equipe Talentos do Capão, e protestamos contra o fechamento da piscina da melhor forma que sabemos: nadando e promovendo a saúde e a disciplina através do esporte!

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46 crianças e adolescentes da Equipe Talentos do Capão participaram da iniciativa. Foto: Arquivo pessoal

O desafio foi liderado pela Marta Mitzui Izo, formada em Educação Física pela USP e técnica de natação especializada em águas abertas, com o desafio que cada atleta completasse 50 x 100 metros!

Martinha Izo, como é conhecida no mundo da natação, também lidera a Equipe Anjos d’Água e é ultramaratonista aquática. Foi a quinta mulher brasileira a cruzar o Canal da Mancha em 2006. Em 2011 voltou ao Canal em revezamento 4×4, que garantiu a quebra de dois recordes mundiais às nadadoras, tanto na ida como na volta. Nunca na história das travessias no Canal havia ocorrido este feito e a conquista foi do Brasil. O recorde foi confirmado pela associação oficial do Canal da Mancha – Channel Swimming Association. Voltou ao Canal em 2019 para mais um revezamento 4×4.

Foi a primeira brasileira a participar da prova 8 Bridges, nadando 193 Km no Rio Hudson, que corta o estado de Nova York, nos Estados Unidos em 2017. Na classificação geral, terminou em quarto lugar, e primeiro na categoria feminino.

Nosso desafio contou também com a participação do Igor de Souza:

referência e um dos maiores nadadores do Brasil nas águas abertas. Tricampeão da tradicional Volta de Manhattan e com outras dezenas de famosas travessias concluídas no currículo, ele tem como maior feito em sua carreira atravessar o Canal da Mancha três vezes. A primeira foi em 1996 quando partiu da Inglaterra e chegou a costa francesa. No ano seguinte ele voltou para o Canal e tornou-se o primeiro brasileiro a completar o percurso em ida e volta. Um pioneiro que hoje auxilia nadadores a atravessar o Canal.

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Integrante do Hall of Fame das Maratonas Aquáticas, foi Supervisor Técnico da seleção brasileira nas três últimas Olimpíadas e na conquista do título inédito de Campeão Mundial por Equipe para o Brasil

Atualmente é diretor do Circuito Maratona Aquática, o mais antigo evento por etapas de águas abertas do país e gerente de Marketing Esportivo da Speedo Brasil.

Harry Finger também esteve conosco!

Nadador de maratonas aquáticas, se tornou o 18º brasileiro a completar o Canal da Mancha em 2012, e em junho de 2017 concluiu a maior ultramaratona do mundo nadando ao redor de 200 km no rio Hudson, o desafio das 08 Pontes, no estado de Nova York, nos Estados Unidos, e em conjunto com Marta Izo e Flavio Toi, foram os primeiros brasileiros a realizar esta ultramaratona.

Atualmente compete em diversas maratonas aquáticas no Brasil, possui uma assessoria e ministra clínicas em Águas Abertas e palestras motivacionais.

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Danyela Silva e Marilia Ohta. Foto: Arquivo pessoal

Além do registro deste treino, gravamos depoimentos de usuários onde constatamos que o complexo é amplamente utilizado por pessoas dos mais diferentes bairros de nossa cidade.

Igualmente, estamos colhendo assinaturas em um abaixo assinado para apoiar nossa causa.

Esperamos com isso que as autoridades competentes e o concessionário nos recebam para estabelecer os compromissos de acesso e uso dos equipamentos do Complexo Esportivo, e assim, a população de São Paulo não seja privada de mais um espaço de lazer e prática esportiva, elementos indispensáveis à vida urbana.

Danyela Silva e Marilia Ohta
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Da Redação

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