Remada à aldeia Tekoá Paranapuã

Remadores da base santista Olukai Hoe Canoa Clube visitam tribo indígena no litoral paulista

Remadores da base Olukai Hoe Canoa Clube posam para foto junto aos índios da tribo Paranapuã. Foto: AP

Eu e minha esposa Rosemeire Ratzka tivemos ciência da existência de uma tribo indígena no Parque Estadual Xixová-Japuí, uma área de proteção ambiental localizada entre os municípios de São Vicente e Praia Grande, na Região Metropolitana da Baixada Santista.

A aldeia pertence à etnia Guarani M’bya e se chama Tekoá Paranapuã, e é possível fazer uma visita previamente com agendamento junto à gestora do Parque e o cacique Marcelino.

Entrei em contato com o cacique Marcelino para pedir autorização e na conversa ele falou um pouco sobre as dificuldades que enfrentam. Diante do relato, arrecadamos junto aos associados de nossa base, a Olukai Hoe Canoa Clube, donativos entre alimentos não perecíveis e fraudas para levar à tribo no dia da visita.

Chegada à praia do Parque Estadual Xixová-Japuí, onde a aldeia está localizada. Foto: AP

Todo este material foi transportado de Canoa Havaiana. Navegamos em linha reta entre a Ponta da Praia, em Santos, sentido São Vicente, totalizando 15 quilômetros ida e volta.

Participaram remadores iniciantes e com experiência que deram um ritmo tranquilo. Chegando à aldeia tivemos um choque. Muitas vezes as notícias sobre a vida desses povos nos chegam pelas mídias sem a devida atenção, ali pudemos ver a tristeza e ouvimos o drama dos verdadeiros donos da terra.

Foto: Lino C Barbosa

Como a aldeia está dentro de um parque, esses índios não podem caçar, pescar e nem cultivar. Eles precisam de muita ajuda, são seres vivos, são gente como agente, e fazem parte do nosso meio ambiente. Esse é um conjunto que vai muito além da fauna e da flora e todos merecem nossa atenção.

Como remadores, nossa sensibilidade fica muito mais suscetível a estas questões, e o espírito Va’a tem que estar presente em todas nossas ações. 

Essa é uma remada prazerosa, que se inicia com sentimento de bem estar desde o momento de colocá-la em prática, mas a visitação pode gerar aos seus visitantes um sentimento de urgência. De que algo precisa ser feito por cada um de nós para ajudá-los, pois não é possível assistir a morte lenta de uma etnia.  Esse foi o sentimento dos 13 remadores que participaram da visita.

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Sobre a realidade indígena no Brasil

Historiadores calculam que antes da invasão europeia, a população indígena no Brasil era de aproximadamente três milhões de habitantes divididos entre mil povos diferentes. Hoje, restam menos de 900 mil e essa população segue em declínio e suas terras sofrem constantemente pressão para serem reduzidas.

Por conta desta realidade, para o líder indígena, ambientalista e escritor brasileiro, Ailton Krenak, afirma que os índios no Brasil vivem uma realidade de guerra desde 1500, sendo exterminados e tendo suas terras invadidas em um ciclo ininterrupto desde a chegada dos portugueses.

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