O SUP brasileiro cresce com a participação nos Jogos Sul-Americanos de Praia

A brilhante participação da equipe brasileira nos Jogos Sul-Americanos de Praia nos aproxima do COB e inaugura uma nova fase do esporte no Brasil, mas o cenário internacional demanda atenção
Após conquistar duas medalhas de ouro, Lena Guimarães recebeu o convite do COB para ser a porta bandeiras do Brasil no encerramento dos Jogos. Foto: Miriam Jeske/COB

É cedo ainda para avaliar o saldo da participação do stand up paddle brasileiro nos Jogos Sul-Americanos de Praia encerrados neste final de semana em Rosário, Argentina, mas é certo afirmar que este esporte saiu maior do que entrou.

Das medalhas conquistadas pelo Brasil nos Jogos, quatro, das onze medalhas de ouro, e duas, das nove medalhas de prata, vieram do SUP Race brazuca: Tuca Santacreu e Aline Adisaka: um ouro cada nas provas de Sprint Race; Vinnicius Martins, duas pratas: SUP Race Técnico e Longa Distância; e Lena Guimarães, dois ouros: SUP Race Técnico e Longa Distância.

A atuação épica de nossos atletas foi fundamental para colocar o Brasil na terceira colocação no quadro geral de medalhas e rendeu merecidamente à Lena Guimarães Ribeiro o convite para ser a porta bandeiras do Brasil na festa de encerramento dos Jogos.

Rosário abriu um novo capítulo na evolução do SUP brazuca. Foi nossa primeira participação em um evento ligado ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e começamos muito bem essa história. Nossos atletas mostraram o quão longe o stand up paddle brasileiro pode ir.

NOVOS RUMOS

Lena experimenta a estrutura do centro de treinamento do COB. Foto: Reprodução

Nosso esporte vive um momento de estabilidade. Após anos sucessivos de crescimento exponencial, o número de novos adeptos parou aumentar com tanta pujança, ao mesmo tempo em que o mercado deu uma retraída. Mas, se tudo na vida gira em torno de ciclos, nada mais natural que isso acontecesse também com o SUP.

Só que, ao mesmo tempo em que o stand up paddle completou um ciclo de crescimento vertiginoso, demos início a uma nova fase, mais institucional, onde esse esporte caminha para se tornar olímpico.

Os políticos entram em ação e as tratativas nesse campo agora se dão ao nível das instituições e – na pior das hipóteses – nos tribunais.

No Brasil, a aproximação entre CBSUP e CBSurf está dando certo nesse sentido, facilitando, e muito, a comunicação com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o que acaba por ajudar a nossos atletas o acesso ao centro de treinamento do Time Brasil e seus especialistas.

Arthur Santacreu durante a conquista do Mundial de Sprint Race em 2018, modaldiade com grandes chances de se tornar olímpica Foto: ISA/ Jimenez

Esse diálogo com o COB é bom também sob o ponto de vista da atenção do público em geral, uma vez que eventos ligados ao COI têm maior exposição na chamada “grande mídia”, atraindo, consequentemente, a atenção de grandes empresas, que se tornam potenciais patrocinadores.

Por outro lado, vale também ficar atento à briga entre ISA (International Surfing Association) e ICF (Internacional Canoe Federation) pelo controle do SUP, pois, enquanto no Brasil as coisas se alinham harmonicamente por meio da ISA, representada em nosso país pela CBSurf, a ICF vem ganhando força na Europa e, agora, com o anúncio de seu Mundial da China, pretende aumentar seu poder de influência na Ásia.

No Brasil a ICF é representada pela CBCa, que não tem um histórico de envolvimento com o stand up paddle até agora. No entanto, caso o COI escolha a ICF como entidade máxima do esporte a nível olímpico, uma aproximação com a CBCa será inevitável.

O fato é que se isso acontecer é muito provável que a ISA recorra e aí, quando as coisas vão parar no tribunal, o desfecho é imprevisível. Fora o tempo gasto.

Enfim, por hora, vamos comemorar as conquistas do Sul-Americano e a “moral” que conquistamos junto ao COB. Mas sem baixar a guarda.

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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