Brasileiro de SUP Race e o fator Itacimirim

Em um momento em que o SUP Race brasileiro enfrenta crises ao mesmo tempo em que dá seus primeiros passos olímpicos, a primeira etapa do ano ganha uma importância extra por conta da tradicional reunião entre CBSUP e atletas
Dirigentes da CBSUP e atletas debatem sobre os rumos do esporte durante assembleia anual promovida pela entidade. A próxima será em Itacemirim (BA). Foto: Luciano Meneghello

Próximo dia 30 de março a praia de Itacimirim, em Camaçari (BA), recebe a primeira etapa do circuito brasileiro de SUP Race, o Super SUP Bahia.

Para quem acompanha o esporte, este será mais um ano de Brasileiro que se inicia, no entanto, para aquele competidor que corre o circuito e pretende manter-se como atleta, esta será uma das etapas mais importantes da história da CBSUP.

Os leitores do Aloha Spirit Club sabem que 2018 foi o ano mais difícil da história da entidade, que teve o desafio de encontrar um substituto com a mesma dedicação e conhecimento do diretor técnico Magno Matozo e a escassez de investimentos (e investidores) em decorrência da pior crise econômica da história do país.

Boa parte dessas questões foi explanada pelo presidente da entidade, Ivan Floater, em entrevista exclusiva, concedida ao Aloha Spirit Club, em agosto de 2018 (Se você não leu a entrevista, recomendo que leia!).

Não bastassem esses problemas, infelizmente, existem atletas que ainda não compreendem com clareza o papel da entidade, que tem como função primordial chancelar o esporte institucionalmente. Há uma recorrente comparação do circuito brasileiro com circuitos independentes que não faz muito sentido, uma vez que cada um cumpre um papel dentro do desenvolvimento do esporte.

Lena Guimarães representa o SUP brasileiro nos Jogos Sul-Americano de Praia. Evento ligado ao COI que anuncia a chegada de uma nova era e consequente importância da CBSUP nesse processo. Foto: AP

Uma coisa é você organizar um circuito dentro de regras que você mesmo cria, fazendo etapas onde você bem entende, e com flexibilidade total para definir premiações e categorias; outra é se guiar por um livro de regras, criado em comum acordo com federações estaduais, que determina padrões que não podem ser alterados.

Não quero dizer com isso que a confederação brasileira esteja isenta de críticas. Na verdade, em minha opinião, nosso modelo de circuito brasileiro precisa ser reformulado. Entre alguns pontos que, acredito, demandem atenção imediata estão a redução do número de etapas (o que, pelo menos em tese, facilitaria a definição e o anúncio prévio da localidade/ datas das mesmas) e a reestruturação das categorias amadoras e de base.

Além disso, a confederação se aproxima cada vez mais do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) através de sua aliança estratégica com a CBSurf. Os frutos dessa parceria podem ser vistos através do tratamento que nossos atletas receberam no Pan-Americano de Surfe e SUP e, agora, nos Jogos Sul-Americanos de Praia, viajando com as despesas pagas e recebendo acompanhamento preparatório de uma equipe multidisciplinar.

São sinais de que os tempos estão mudando e é justamente aí que está um dos pontos mais importantes no papel de uma confederação. Enquanto, via de regra, organizadores de eventos independentes criam suas próprias normas, o circuito brasileiro se constrói com a participação ativa de dirigentes e atletas.

A força da base: Robson Feijão (à frente), Cadu Vieira e Gui Thawire (à dir), são um exemplo prático de que as categorias amadoras precisam ser repensadas para atrair (e manter) mais talentos. Mas as ideias precisam sair do mundo virtual. Foto: Fabio Mota/ CBSUP

Pois bem, toda essa introdução para lembrar a vocês, dirigentes e competidores do circuito brasileiro, que tradicionalmente são as primeiras etapas do ano que decidem os rumos do esporte, pois nessa ocasião são realizados os plenários entre CBSUP e atletas (profissionais e amadores), se elegem os representantes de classes e se debatem assuntos pertinentes aos caminhos institucionais que o esporte vai tomar dali pra frente.

Portanto, tendo em vista tudo o que está acontecendo com o stand up paddle brasileiro, as crises, os anseios por mudanças, e a possibilidade de um futuro promissor junto ao COB, acho importantíssimo que aquele atleta engajado e disposto a ter uma participação mais ativa nos rumos do esporte, viajar à Bahia e se fazer presente na primeira etapa do ano.

Uma coisa é certa, por ser a entidade máxima legalmente instituída a reger o stand up paddle nacional, não há crise e nem falta de estrutura capaz de mudar o protagonismo da CBSUP.

Sendo o único jornalista que cobre o circuito brasileiro, ininterruptamente, desde a primeira etapa de sua história, acabei por me tornar uma espécie de “fonte” para colegas de profissão que trabalham em veículos da chamada grande imprensa.

Quando alguém da Folha de São Paulo ou do Jornal A Tarde da Bahia, por exemplo, entra em contato comigo para buscar alguma informação sobre stand up paddle, em 99% das vezes as perguntas giram em torno do campeonato brasileiro e seus campeões.

Não me parece que essa percepção vai mudar, e já que agora vivemos uma era em que ideias são debatidas constantemente nas redes sociais e grupos de whatsapp, vejo em Itacimirim uma oportunidade valiosa para que essas propostas deixem o mundo virtual e encontrem sua real efetividade no mundo real.

EM TEMPO: Se você tem interesse em entender mais à fundo o funcionamento da Confederação Brasileira de SUP, eu sugiro que navegue por esse link AQUI, onde podem ser lidos diversos ofícios que determinam o funcionamento da entidade em diferentes aspectos.

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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