Canoa Raiz e o Va’a em Aracaju

Igor Cruz, um dos fundadores da base Canoa Raiz de Aracaju (SE) troca uma ideia com nosso editor sobre a história de seu clube de va’a e o potencial da capital sergipana para a prática de esportes a remo
Clube Canoa Raiz em ação com Igor Cruz, na voga da canoa, e Samuel dos Santos, em pé, no banco 6. Foto: AP

A capital sergipana, Aracaju, tem um grande potencial para a prática de esportes a remo. Não por acaso, a cidade já foi palco de uma etapa do Brasileiro de SUP Race e abriga uma das mais conhecidas e tradicionais bases de SUP do Brasil, os SUP Amigos.

Era natural, portanto, que o crescimento de bases de va’a, que vem ocorrendo em todo Brasil nos últimos anos, também ganhasse vulto por lá e, nesse sentido, a Canoa Raiz, fundada pelos remadores Igor Cruz e Samuel dos Santos, venha se destacando na capital Sergipana por desenvolver um trabalho sério, voltado não só para as competições, mas também a atividades sociais e turísticas através da filosofia da canoa polinésia.

Na entrevista a seguir, Igor Cruz conta um pouco da história de sua base e também do potencial que Aracaju oferece para a prática do va’a:

Há quanto tempo existe a Canoa Raiz Aracaju e como surgiu a ideia de montar essa base?

Eu já remava há muito tempo com caiaque, já havia feito expedições pelo Rio São Francisco e me aventurado em algumas pelo mar; o meu amigo Samuel (dos Santos) sempre competiu com remo olímpico, treinávamos no mesmo rio, então o convidei para fazer uma remada de caiaque duplo até a foz do rio Sergipe. Durante essa remada, em meio a toda aquela beleza que veio a ideia de trazer mais pessoas para vivenciarem nossos rios da mesma forma que nós.

A ideia inicial era usar somente os caiaques, mas, em conversa com o amigo Igor Viana (Canoa Paidégua), decidimos comprar canoas OC6 por permitirem que pessoas com tamanho, peso e idade diferentes, pudessem ter acesso ao rio.

Igor Cruz rema de surfski durante edição do Desafio Salvador Morro de São Paulo. Foto: Reprodução

E como foi desenvolver a cultura do remo polinésio em um lugar sem muita tradição nesse esporte?

Nossa cidade, Aracaju, como muitas outras no Brasil, se desenvolveu por estar perto do mar, esse foi também um dos motivos que levaram Aracaju a ser a capital sergipana, nossa cultura naval é muito rica, temos uma variedade enorme de embarcações tradicionais, mas muito dessa cultura foi esquecida por conta do desenvolvimento do transporte rodoviário. A cultura polinésia já está contagiando nossos rios em sintonia com a cultura local, tanto que quando passamos pelos pescadores eles já gritam o “Hip” e nós respondemos com o “Hooo”!

Grupo formado por jovens da APAE Aracaju que mantém uma parceria com a Canoa Raiz. Foto: AP

Fale um pouco sobre a base de vocês. Vocês realizam treinos e passeios, mas também disseminam a cultura do va’a através de trabalhos sociais, certo?

Sim. Nossa base fica na escolinha de remo no Parque dos Cajueiros. Eu me revezo o com o Samuel para treinar os atletas de nossa equipe e fazer passeios e expedições com turistas nos rios da capital e demais rios sergipanos.

Nosso clube também ajuda no trabalho socioambiental, temos uma parceria com a APAE de Aracaju trazendo os jovens para vivenciar nosso esporte e também fazemos o Eco Paddle, que é o nosso evento de limpeza dos rios e conscientização ambiental.

As meninas da Canoa Raiz formaram a primeira equipe feminina de va’a do Sergipe a participar do desafio Salvador Morro de São Paulo. Foto: AP

Em relação às competições, fale um pouco sobre a histórica participação da primeira equipe feminina de va’a de Aracaju no Desafio Salvador – Morro de São Paulo

Quando eu tomei conhecimento desse desafio ele estava em sua primeira edição, na mesma data eu estava chegando em Salvador de caiaque, completando uma remada de cinco dias. Fiquei super interessado e prometi pra mim mesmo que iria participar na edição seguinte, e foi nesse mesmo ano que surgiu o Canoa Raiz, então minha empolgação contagiou a galera e em 2018 representamos o clube com duas canoas OC6 (masculina e mista), uma OC1 e eu no Surfski .

A procura das meninas pelo esporte foi tão grande que elas se tornaram a maioria dos atletas do clube, então veio a decisão de montar um time exclusivo pra elas.

Durante a fase de preparação houve vários acontecimentos, o time inicial foi reconfigurado várias vezes por conta de afastamento por doença grave na família, acidente de trânsito, gravidez e interrupção de gravidez. Foram muitos os obstáculos a serem superados, umas não sabiam nadar e outras sequer haviam remado no mar, muitos traumas foram superados, porém o espírito de superação foi maior que as adversidades, em Morro eu pude ver a emoção de um amigo que esperava ansiosamente a chegada da esposa e da filha na mesma canoa, sim, mãe e filha na mesma canoa estreando na prova mais dura de todas as edições!

Parceria forte: Igor Cruz (à esq.) e Samuel dos Santos (à dir). Foto: Arquivo pessoal

Quais são os lugares mais legais para remar em Aracaju?

Aracaju é situada em meio ao estuário dos rios Sergipe e Vazabarris e próximo dos cânions de Xingó e do Rio São Francisco, somos privilegiados por desfrutar de uma variedade de locais com águas abrigadas em meio aos manguezais e ter um mar a ser desbravado por atletas mais experientes!

Passe os contatos da Canoa Raiz de Aracaju para quem deseja treinar por ai ou fazer um passeio

Os interessados em remar em Aracaju podem entrar em contato comigo, Igor Cruz, pelo cel/whatsapp ( 79) 999681515 ou com o Samuel pelo (79) 996054212.

Nosso site é o www.canoaraiz.com.br e nossa página no Instagram: @canoaraiz_aracaju.

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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