A arte de surfar com uma canoa caiçara

Conhecido como “Garramar”, o surfe de canoa caiçara é uma forma tradicional de correr ondas de nossa cultura litorânea que exige coragem e muita habilidade
Registro feito em Trindade (RJ) nos anos 70. No leme da canoa está “Pelé”, mestre nessa arte e pai do atleta de SUP Race do circuito brasileiro Itamar do Carmo. Foto: Arquivo pessoal

A primeira vez em que ouvi a palavra “Garramar”, anotei: “agarra mar”, mas depois confirmei ser garramar mesmo. Trata-se de surfar uma onda com a canoa à remo, seja por puro divertimento, (brincadeira de infância de muitos dos meus Mestres Caiçaras durante as maresias), seja para demonstrar habilidade e coragem, pois, dependendo do tamanho da onda, pode ser fatal bater a cabeça contra o tronco esculpido.

Como no surfe, é muito importante escolher a onda certa, (que abra e não seja “caixote”) e também governar com o remo para que a canoa não atravesse na onda causando um capotamento.

Lucas da Barra Seca trabalhando bem seu remo durante vento em Ubatuba. Devido ao peso da canoa, qualquer falha pode ter consequências bem sérias. Foto: Cristina Prochaska

Algumas técnicas ajudam neste processo:

1- Andar para a proa (board walk) facilita entrar na onda;

2- Ficar na popa com o remo bem afundado, funcionando de leme, facilita manter o rumo correto;

3- É preciso sempre descer a onda um pouco de “fianco”, ou seja, na diagonal para o lado que a onda abre (como no surfe), e o remo sempre no bordo oposto para impedir que a canoa atravesse, esse é o movimento mais difícil e que precisa de certa dose de fé (veja um exemplo aos 44 s no vídeo abaixo);

4- Caso ocorra um capotamento, deve-se afastar ao máximo do casco para não ser atingido, e o remo deve ser largado para que não quebre.

O Garramar exige muita habilidade e coragem, seja nas exibições durante as corridas de canoas, seja na volta à praia depois das pescarias quando o mar está grosso. Nestes casos o perigo aumenta ainda mais pois a canoa está cheia e pesada com a rede, e caso haja um capotamento e a rede vire por cima do pescador, é morte certa.

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About the author

Peter Nemeth

Peter Nemeth

Peter Németh é Comunicador Social, maricultor e Pesquisador em Ciências Ambientais, Cultura Caiçara e pesca artesanal. Seus trabalhos sobre cultura caiçara podem ser conferidos no blog: canoadepau.blogspot.com


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