Expedição Desafio Volta à Baía de Todos os Santos

Clube Nativos Va’a realiza expedição de reconhecimento da prova “Desafio BTS – Ygara – Volta à Baía de Todos os Santos”. Dois dias desafiadores de remada em OC6 em meio a paisagens paradisíacas

Após participar de uma competição de canoagem polinésia na baía de Todos-os-Santos (BA) Fabio Mota, capitão do clube Nativos Va’a, olhando toda aquela imensidão de água, ornada por belas paisagens imaginou como seria participar de uma prova cujo percurso fosse toda a extensão da baia.

Sou do interior da Bahia e conheço bem as áreas mais remotas da baía de Todos-os-Santos, é muito bonito, e após fazer essa prova, que tinha uns 10 km de percurso, fiquei com essa ideia na cabeça, de fazer uma prova longa ali”, conta Fabio Mota.

Fabio então começou a pesquisar e a desenhar o formato de um prova de acordo com a sua ideia. À medida que a vontade de fazer a sua competição aumentava, surgia também o receio por conta da complexa logística para realizar um desafio dessa magnitude. Porém, como lembra Mota, “A essência da canoagem polinésia são as remadas longas, quando você lê sobre o assunto, descobre que esses povos atravessavam distâncias enormes em suas canoas, pelos mais variados motivos, essa vontade de fazer um evento que resgatasse esse sentimento, me motivou muito, e segui trabalhando em cima do projeto até encontrar o formato ideal”, revela o capitão da Nativos Va’a.

Nascia então o “Momburu Paraguaçu Ygara – Volta à Baía de Todos os Santos”, uma prova de 150 km de remada de V6, onde as equipes remarão por toda extensão da baia.

os competidores encontraram várias condições de raia e uma coisa em comum: paisagens deslumbrantes ao longo de todo percurso. Foto: Reprodução/ Nativos Va’a

Para lançar o desafio, Fabio convidou sua equipe que irá participar do III Desafio Yacht – Travessia Salvador – Morro de São Paulo para fazer o reconhecimento da raia, uma vez que a primeira metade do Desafio BTS será praticamente dentro do mesmo trajeto: largando próximo ao Porto da Barra em direção à Ilha de Itaparica.

Essa expedição foi muito importante para definir as rotas mais seguras, principalmente nos trechos de mar aberto, como no caso de Cacha Pregos, em Itaparica:

Quando chegamos a Cacha Pregos, ponto em que as canoas irão contornar a Itaparica rumo ao canal que leva à baía, vimos era possível fazer dois percursos, um, mais seguro, porem maior, contornando as ondas, e outro, por meio das ondas, surfando. Como a gente surfa direto de canoa, não pensamos duas vezes e fomos em direção às ondas. Tinha uma galera surfando e o pessoal não acreditou! Vibraram muito na hora em que nossa canoa começou a surfar as ondas rumo ao canal”, conta Fabio.

Uma vez no canal, o capitão da Nativos Va’a revela que a região de águas calmas é ornada por dezenas de ilhas, compondo uma belíssima paisagem. Porém, na saída de Itaparica, um forte vento frontal mostrou que essa prova deverá contar com remadores experientes, pois não foi fácil vencer a ventania.

Na direção de Salinas, porém, o vento ficou favorável e proporcionou um downwind de primeira. Fabio alerta para o fato de que essa região é repleta de bancos de areias e fica bem rasa na maré baixa, fato esse que acabou por prender a escuna de apoio, que acabou encalhada até a mudança da maré, e os remadores, ao chegarem a Salinas, precisaram esperar por quase quatro horas até que a escuna chegasse ao ponto de encontro.

Confraternização na escuna de apoio. Foto: reprodução/ Nativos Va’a

No dia seguinte, uma roda de energia foi feita entre todos os envolvidos para que tudo continuasse dando certo na segunda metade da expedição.

A canoa partiu então em direção a outras ilhas da baía, como Coroa Branca, Ilha Grande, Ilha Pequena, enquanto a escuna de apoio precisou novamente aguardar a mudança da maré para seguir os remadores.

Fabio conta que nesse trajeto, de cerca de 20 km, o capitão da escuna acompanhou os remadores na canoa para catalogar a região, que além dos bancos de areia, também tem pedras em alguns lugares, de forma a criar um mapa com a finalidade de orientar todas as embarcações de apoio durante a expedição.

Na saída da Ilha dos Frades, após quilômetros de remada em águas calmas e paisagens deslumbrantes, Fábio, de maneira bem humorada, recomenda a todos os remadores que façam uma oração quando passarem pela Igreja de Loreto, pois a partir dali o vento frontal entra novamente com força, gerando ondulações de até meio metro, batendo constantemente contra a canoa. “Nessa hora a equipe precisa estar concentrada e preparada”, revela.

Alguns remadores de SUP também remaram por algumas partes do percurso. Foto: Reprodução / Nativos Va’a

Esse trajeto dura 10 km até a chegada à Ilha de Maré, que protegerá as equipes das ondas, mas os ventos continuarão soprando fortes dependendo de sua direção. Porém, ao sair da Ilha de Maré e já em direção ao porto de Salvador, último trajeto, que encerra o desafio com um “Grand Finale”, com um downwind perfeito até praticamente a linha de chegada.

Fabio conta que nesse último trajeto, devido às paradas feitas ao longo da expedição para definição dos melhores trajetos, entre outros fatores, que acabaram por atrasar o cronograma inicialmente previsto, a última troca da equipe foi feita já bem no final de tarde, e a última pernada, até o porto, foi feita de noite pelos remadores, munidos de lanternas e imbuídos do mais genuíno espírito aventureiro inerente aos povos ancestrais polinésios.

Eu me senti no tempo em que os polinésios faziam as travessias de uma ilha para outra, sem GPS, ou qualquer equipamento eletrônico. Foi um pouco tenso, pois, estava muito escuro e nossa maior preocupação era com as lanchas. Então, todos remaram super atentos até chegarmos a Salvador”, conta o capitão da Nativos Va’a.

Chegada à Salvador. Foto: reprodução/ Nativos Va’a

A canoa chegou ao seu destino final por volta das 20h30 de domingo. Esta remada noturna, porém, não faz parte do desafio, uma vez que a previsão de chegada das equipes será para o meio da tarde.

Fabio Mota explica que tudo foi feito nos mínimos detalhes para que nenhum imprevisto ocorra durante o desafio: “Tivemos que parar várias vezes, inclusive até retornar um trajeto para resgatar o pessoal que fez parte do percurso remando de SUP e acabou errando o caminho. Mas tudo isso serviu para nossa equipe catalogar as informações e oferecer uma prova desafiadora, mas segura”, finaliza o capitão já deixando aberto o convite aos clubes de va’a de todo Brasil.

O “Desafio BTS – Ygara – Volta à Baía de Todos os Santos” está marcado para acontecer no segundo semestre de 2019.

Para mais informações acesse Facebook / Nativos Va’a

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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