ASUP-CE | Remadão ecológico no rio Ceará

Remadores chamam atenção para a importância da preservação do Parque Ecológico da Barra do Ceará
Além dos conhecidos verdes mares bravios que cercam o Ceará, o estado é recortado por dezenas de rios que são regularmente visitados por remadores. Foto: Marcos Junior / @jrclicks

O stand up paddle é um esporte que proporciona aos seus praticantes momentos de completa integração e sinergia com a natureza e a consequente redução do estresse, problema que afeta grande parte da população, em especial aquela residente nos grandes centros urbanos.

Além dos conhecidos benefícios advindos da prática esportiva propriamente dita (queima de calorias, emagrecimento, definição muscular, melhorias na postura, equilíbrio, coordenação motora e na respiração, dentre vários outros), a oportunidade de abraçar a causa ecológica, faz dos supistas verdadeiras molas propulsoras a defender o meio ambiente. Considerando que o esporte é praticado em rios, lagoas ou mares, é quase que uma tendência natural a conscientização dos atletas em relação aos cuidados com a natureza e importância da sua preservação, gerando atitudes responsáveis e coerentes para com os locais utilizados para a prática esportiva.

Visual da remada. Foto: Marcos Junior / @jrclicks

Além dos conhecidos verdes mares bravios que cercam o Estado do Ceará (são incríveis 573km de litoral),  ambiente absolutamente perfeito para praticantes de SUP Wave (em especial nos primeiros meses do anos), SUP Race (durante todo o ano) e Downwind (em especial no segundo semestre), dezenas de rios navegáveis também são regularmente visitados pelos remadores para a prática recreativa de stand up paddle. A própria Associação de Stand Up Paddle do Ceará (ASUPCE) insere os rios como locais-sede de etapas do circuito estadual, oportunidade em que as questões ecológicas também entram em pauta.

RIO COCÓ E O RIO CEARÁ

Remadores filiados a ASUP-CE desfrutando das belezas do rio Ceará. Foto: Arquivo pessoal

Em Fortaleza, dois rios praticamente “cercam” a cidade: rio Cocó e o rio Ceará. Os dois nascem bem longe, em Pacatuba e Maranguape respectivamente, percorrem boa parte do estado, por mais de 50km, até desaguar no mar. Muitas histórias poderiam ser contadas por moradores das proximidades da chamada “boca do rio” em ambos os casos. Histórias que misturam a defesa dos manguezais (ambos são áreas de mangues, verdadeiros berçários de inúmeras espécies marinhas, e de proteção ambiental), a subsistência a partir da pesca sustentável nos rios ou a luta pela própria moradia visto que são áreas constantemente ameaçadas pela especulação imobiliária e muitas vezes ocupadas de modo desordenado.

Paralelemente ao necessário cuidado por parte do estado e município através de suas respectivas secretarias relacionadas ao meio ambiente, os próprios moradores tem sido os verdadeiros guardiões em defesa da sobrevivência destes rios, evitando a sua poluição, combatendo o descarte inadequado do lixo doméstico e as práticas predatórias que poderiam redundar em graves impactos ambientais. Juntos, estado e população, caminha-se para um cenário com melhores perspectivas, incluindo, além do uso racional dos benefícios que os rios podem trazer, a oportunidade de se praticar esportes que irão conferir ainda mais vida a estes cenários sem danificá-los e, ao contrário, levantando-se a bandeira da sua preservação.

Alexandre Nogueira. Foto: AP

Nesta perspectiva, a realização de travessias nos rios promovidas pela ASUPCE tem sido uma constante no Estado do Ceará.

Nas viagens feitas para travessias nos rios localizados no interior do estado, as remadas recreativas não têm como foco principal a questão ambiental. Segundo o Presidente da Associação, Alexandre Nogueira, quanto mais afastados localizam-se os rios em relação a capital Fortaleza, menos efeitos da urbanização são notados e melhores são as condições de preservação dos rios, por isso as travessias acabam tendo um viés mais focado no turismo na gastronomia e cultura dos locais.

O presidente ressalta, porém, que os cuidados em relação ao não descarte de plásticos, recolhimento sistemático de resíduos flutuantes encontrados nas remadas e o registro fotográfico de alguma evidente agressão à natureza já são rotinas incorporadas ao grupo que geralmente está presente nas remadas, sendo as imagens obtidas utilizadas posteriormente em palestras ou em encontros realizados com os filiados e também nas diversas ações de educação ambiental realizadas com crianças, as quais contam com o apoio dos integrantes do Projeto Limpando o Mundo, sob a coordenação do educador ambiental Juaci Araújo, parceiro da associação.

Especificamente nas remadas programadas para os rios Cocó e Ceará, o foco das remadas é chamar a atenção para a questão ecológica e a necessidade de preservação destes ambientes e toda a sua biodiversidade. Por serem localizados em plena área urbana da grande metrópole que é Fortaleza, esses rios simbolizam justamente todo o esplendor da natureza e a sua grande resistência, mesmo diante das inúmeras agressões ambientais sofridas constantemente pelo homem.

Para o Diretor Clylton Torquato, na medida em que se realiza remadas nestes ambientes, cria-se um empoderamento sobre a responsabilidade individual para com o planeta. É como se o lado atleta fosse deixado de lado e abre-se a mente para questões relevantes enquanto exercício da cidadania, desenvolvendo-se uma verdadeira cultura de proteção à natureza. Por isso a importância do stand up paddle como esporte que defende o meio ambiente, ressalta o diretor.

Saúde, confraternização e conscientização ecológica: uma combinação perfeita. Foto: Marcos Junior / @jrclicks

REMADA NO RIO CEARÁ

Justamente com este propósito, no início de novembro um grupo de remadores filiados a ASUPCE programou uma remada recreativa no rio Ceará. Aprovada por lei estadual, a área passou a se denominar desde julho de 2018 de Parque Ecológico da Barra do Ceará, na perspectiva de servir ao lazer sustentável além da sua vinculação às diversas formas de propagação de educação ambiental. No projeto de lei também está vinculado o uso do parque para a prática de esportes que não causem impactos negativos sobre o ambiente, justamente o que ocorre com o stand up paddle e a canoagem em geral.

Na oportunidade os remadores percorreram desde a imponente ponte José Martins Rodrigues, a maior da cidade (chamada de ponte sobre o rio Ceará), até a chamada “boca do rio”, no encontro com o mar, onde aproveitaram para curtir umas “marolas”, e subiram cerca de 2,5km, apreciando a paisagem em volta do rio, composta por mangues que abrigam as mais diversas espécies de animais e vegetais.

Ao final, os remadores foram recepcionados no Albertus Restaurante para apreciarem o melhor da gastronomia local. Foto: Marcos Junior / @jrclicks

O grupo percorreu áreas de aglomerados de barcos que estavam em reparo ou aguardando novas viagens e também parou em áreas nativas para apreciar o local e colocar o papo em dia, além do merecido descanso para suportar o sol escaldante (39º C na sombra). Na volta, enfrentaram muito vento, preferindo remar em áreas abrigadas, mais próximas à vegetação, perfazendo um total de aproximadamente 5km de remada em ritmo de passeio.

Ao final, foram recepcionados no Albertus Restaurante para apreciarem o melhor da gastronomia local, um cardápio repleto de peixes e camarões, iguarias típicas do melhor da cozinha cearense. Segundo Paulo Celso, veterano remador e presença constante nas travessias dos rios, além do fomento às questões ecológicas, os passeios tem um lado muito relevante, o de aproximar os praticantes de sup. Antes conhecíamos uns aos outros no ambiente de competição e agora temos a oportunidade de fazer cada vez mais amigos, os quais se reúnem em função do esporte que praticam em comum, o que fomenta a aproximação das famílias e a incorporação cada vez maior de novos praticantes.

Os registros fotográficos que ilustram esta matéria foram realizados pelo fotógrafo Marcos Júnior, profissional que acompanha os remadores em todas as travessias e que também já se apaixonou pelo stand up paddle, realizando o seu trabalho sobre uma prancha.

 

 

 

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Da Redação

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