Expedição Cananéia x Paranaguá | 138 km de remada na Mata Atlântica

Grupo realiza expedição de Cananéia (SP) à Paranaguá (PR) remando por uma das regiões litorâneas mais preservadas do Brasil, em contato direto com comunidades caiçaras e natureza intocada

Expedição reunida para uma remada de quatro dias por um dos trechos de litoral mais preservados do Brasil. Foto: AP

No último dia 11 de outubro, partindo de Paranaguá, litoral do Paraná, com destino à cidade de Cananéia, no extremo sul de São Paulo, teve início a expedição “SUP Trip Cananéia” com o propósito de reunir um grupo de remadores de stand up paddle e caiaque para fazer o caminho de volta ao Paraná, mas, dessa vez, remado por uma das regiões mais preservadas de nosso litoral.

Usamos como apoio o barco Maranata, com capacidade para acomodar várias pessoas nos momentos de descanso e pernoite, além de prestar um eventual socorro em caso de necessidade.

Entre os participantes no SUP estavam: Leo Pielak, Marcos Wsolek, Marcel Barchic e Joca Dicas.

Já os remadores de caiaque foram: Caio Murilo,  Maxweel de Morais, Fabio Souza, Lucas Scremin, Rodrigo Scremin, Luiz Hiromoto Luiz Anastacio, Tiago Andreata, Gilson Goncalves, Elcio Luiz, Rafael Veiga Marcio Pinheiro, Leandro Klaus Klaus, Rodrigo Klaus, Lucas Adriano Marcel Barchik.

E a tripulação era formada por: Taico Dias, Junior Dias e Rafael Cardoso Valderi dos Santos.

Devido às fortes chuvas, frio e vento, nossa navegação noturna foi bem restrita, exigindo um total conhecimento da área devido aos recortes entre um canal e outro. Qualquer atraso ou imprevisto na navegação comprometeriam nossa maré de largada no dia seguinte, já em são Paulo. A bordo, no comando da churrasqueira, os Srs. Taico e Rafael comandavam o jantar.

Barco de apoio dos remadores com capacidade para acolher a todos e equipado com rádios VHF, GPS, material de salvatagem. Essa trip é uma jornada longa e por regiões isoladas e sem recurso. Foto: AP

DIA 01

Chegamos no dia 11 de outubro pela manhã em Cananéia (SP). Estávamos dentro do previsto com maré programada e aquele café a bordo foi preparado. Porém fomos recepcionados por fortes rajadas de vento e forte chuva, largamos com destino à Ilha do Cardoso pra fazer os primeiros 35 km do dia.

Já tínhamos uma tarefa árdua pela frente: atravessar a barra de Cananéia, principal acesso à Ilha do Cardoso. Ao nosso favor somente a maré! Com o vento e a chuva contra, era inevitável a não formação de marolas o que dificulta remar com SUP.

Por momentos recuávamos e então foi a hora de testarmos realmente nossa técnica e resistência e fazer os equipamentos responderem à altura além disso, a neblina nos impedia de avistarmos a outra costa como referência.

Apesar de estarmos com barco de apoio médico a bordo, rádios VHF e GPS junto ao SUP, poderíamos ser arrastados saindo barra afora e dependendo do local, o barco não tem como encostar.

Leo Pielak e Joca Dias relaxam após horas de remada. Foto: AP

Após três horas de remada, o grupo parou para almoçar a bordo. Uma pausa necessária. Em seguida, seguindo em direção à primeira parada. Ainda faltavam 17 km para chegarmos à Ilha do Cardoso e ter cozinheiro a bordo numa trip faz toda a diferença! Às 18h completávamos a primeira etapa após remar 35 km.

Encerramos a noite com um jantar no restaurante local regado a frutos do mar. Uns optaram em dormir nas acomodações a bordo outros em pousadas, a Ilha do Cardoso praticamente não tem sinal de celular e wi-fi. Apenas em algumas pousadas oferecem algum tipo de conexão. A fonte de energia é feita por geradores e por placas solares. O lugar abriga diversas praias desertas com altas ondas na costa virada para o mar e, no outro lado, rios calmos, trilhas e cachoeiras resumindo um lugar de paz.

DIA 02

12 de outubro amanheceu ainda com uma leve chuva, porém, já estávamos em águas abrigadas. Só esperávamos a hora da maré para melhor performance.

O café a bordo era o reforço da manhã para mais 35 km até a comunidade de Tibicanga. Pranchas e caiaques na água rumo a primeira parada, que seria a cidade fantasma do Ararapira, local na divisa do Paraná com são Paulo.

No lugar vive apenas um morador, que ainda resiste ao tempo à lembrança de um povoado que já teve um papel importante na ligação entre os dois estados, principalmente na economia local por sua localização dentro do itinerário marítimo da época.

Modernidade e tradição se encontram no Canal do Varadouro. Foto: AP

Hoje Ararapira contem uma igreja, um cemitério e algumas casas em ruínas. Seguimos em frente por mais uns quilômetros e encontramos a Vila do Ariri, já às margens do estado de São Paulo.

O vilarejo contem estradas com acesso até Cananéia. Pelo caminho muitos turistas. A vida marinha é rica assim como o artesanato local e também a “Cataia”, como é conhecido o wiski caiçara. A todo o momento avistávamos botos e pássaros no trajeto à revoada dos guarás, pássaro que com sua cor vermelha pode ser visto de longe.

Um dos mais complexos ecossistemas do Brasil, Ariri é uma vila de pescadores que levam suas vidas em meio à mata atlântica virgem, um mangue com riqueza de fauna e flora, aves como o biguá, patos selvagens, garças e arapongas.

Após 15 km de remanda, serpenteando os rios, um silencio total e a conexão com a natureza, entramos no canal do varadouro que em 1950 foi aberto pelo homem e ligou os estados do Paraná e São Paulo. Com 5 km de extensão, em media, formou o parque nacional do Superagui, dando acesso à Baía dos Pinheiros já no Paraná.

Expedição reunida em frente à igreja de Ararapira. Uma das poucas edificações que resistiram ao tempo. Foto: AP

Nossa parada para o almoço a bordo foi em meio ao Canal do Varadouro. Após o repouso necessário tínhamos pela frente mais 13 km. Atravessamos a baia dos pinheiros e finalizamos o segundo dia de expedição parando na Comunidade de Tibicanga completando mais 35 km de remada. Fomos então recebidos pelo Sr. Didi, local da ilha, em sua pousada.

DIA 03

Dia de céu claro, sem vento e sem chuva. Já no estado do Paraná, tudo previsto para o Astro Rei dar as caras. O mar liso era propício a uma boa remada. Maré seca a favor da trip, baixios à vista para seguir até a Ilha das Cobras, em Paranaguá.

SUP’s revisados, equipamento de comunicação todos carregados, e seguimos para água. Deixamos a vila para trás e após 10 km de remada avistamos a Ilha de Guapecum, onde faríamos uma pequena parada para repor água, isotônicos, esperar o restante do grupo e a chegada do barco de apoio com destino a Paranaguá. Os navios e o porto já eram visíveis e estávamos prestes a completar a trip.

Hora de descansar no barco de apoio e repor as energias para um novo dia de remada. Foto: AP

Fazia mais de 20 anos que não pisava nessa região. Foi o lugar onde meus avós e pais nasceram e depois partiram, mas deixaram as raízes e eu segui seus ideais!

Seguindo em frente, já dentro da baía de Paranaguá, com uma maré de enchente muito forte que impossibilitava uma boa remanda parávamos para ver a revoadas de gaivotas e biguás.

Léo Pielak e Marcos Wsolek se depararam com uma cena lamentável: um boto já sem vida enrolado a rede. Infelizmente a pesca artesanal tem suas consequências e o homem é o próprio predador da sua subsistência. Apesar disso, foi a melhor remada da minha vida relata Leo Pielak.

Chegava perto do meio dia e o churrasco a bordo em meio à baia de Paranaguá era sentido de longe. 30 km nos separavam do término da trip. Estávamos com tempo e andamos bem. Por isso resolvemos mudar o percurso após o almoço e fomos explorar nossa própria região, desconhecida para alguns.

Joca remando pela baía de Paranaguá. A presença de navios já indicando que a civilização está próxima. Foto: AP

Degustamos umas ostras e um peixe nas ilhas mais próximas, onde a comida é muito boa, relata Marcos Wsolek, mas infelizmente as comunidades ainda têm esgotos a céu aberto bem como a falta de tratamento com o lixo.

DIA 04

Após mudarmos o percurso programado, concluímos a expedição entre são Paulo e Paraná. Foram 138 km de remada percorridos em 66 horas divididas em quatro dias.  25 pessoas remando juntas em caiaques e SUP’s.

Essa trip é uma jornada longa e abriga regiões incomunicáveis e sem recurso. Por isso é necessário um bom planejamento, estar atento à programação meteorológica, equipamentos adequados para travessia rádios VHF, GPS, material de salvatagem, medicamentos entre outros.

O objetivo é explorar e se divertir e não passar perrengue!

Nossos agradecimentos aos apoiadores da expedição:

California Republic  | Paddles  | Mauricio Abubakir Shaper Designer |Star-Fish International

VÍDEO

ROTA DA EXPEDIÇÃO

GALERIA DE IMAGENS

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