Entrevista: Caio Vaz e o foco na recuperação

Waterman e bicampeão mundial de SUP Wave, Caio Vaz bate um papo com nosso editor sobre o acidente em Fiji e a sua preparação para a voltar às águas
Caio Vaz em ação no histórico swell de Cloudbreak, em Fiji, antes da vaca que o colocaria de molho por meses. Foto: Pompermayer

Nos últimos anos o carioca Caio Vaz vem construindo uma trajetória de respeito dentro dos watersports. Bicampeão mundial e brasileiro de SUP Wave, Caio também tem se destacado no Big Surfe, viajando o mundo e o Brasil atrás de grandes ondulações. Em maio deste ano, porém, ao encarar o maior swell da história de Cloudbreak, em Fiji, ele acabou vacando em uma onda pesada e se lesionando. Consequência: cirurgia e seis a nove meses de recuperação.

Na entrevista a seguir ele fala sobre sua recuperação, planos pra voltar a competir e o interesse crescente pelo foil.

Como foi que você se lesionou em Fiji?

Eu levei uma vaca em uma onda da série. Após o drop, embiquei e fui projetado pra frente. Não consegui afundar e acabei rodando junto com o lip. Nesse giro, eu bati com muita força na água e a onda literalmente explodiu em cima de mim. Com esse impacto eu senti na hora que minha perna havia se deslocado e meu ombro recebeu uma pancada muito forte. Mas não bati em nenhum coral, foi somente a força da massa d’água.

Caio instantes antes de ser “explodido” pela onda: “Aprender a ter paciência e calma”. Foto: Pompermayer.

Você esperava encarar uma recuperação tão longa?

Não mesmo! Eu sentia bastante dor, muito incômodo para sentar e apoiar a perna, mas não imaginava que tinha sido tão grave. Na minha cabeça era apenas um estiramento muscular e eu acreditava que estaria pronto pra competir a primeira etapa do Brasileiro de SUP Wave, que seria realizada nas semanas seguintes. (Em decorrência da vaca sofrida em Fiji, Caio sofreu uma ruptura completa do músculo posterior da coxa esquerda e uma fratura leve no ombro esquerdo, tendo que ser submetido a uma cirurgia e vem desde então sendo submetido a sessões de fisioterapia).

Que lições você tirou desse episódio?

O tamanho do estrago na coxa. Foto: AP.

Estar preparado para o que vier. É difícil pensar “Por que isso aconteceu!”, “O que eu fiz de errado?”, Isso aconteceu porque eu estava lá, veio essa onda e eu quis surfá-la. Talvez eu não estivesse tão concentrado como eu deveria estar. Enfim… Acho que a grande lição é aprender a ter paciência e calma, pois tudo na vida passa. Tudo é uma fase.

Você ficará em quanto tempo em tratamento?

De seis a nove meses. No dia em que o médico me examinou ele olhou sério pra mim e disse: “Você quer voltar a surfar?”. Respirei fundo e pensei: “Beleza, ‘causa e consequência’”. Agora o meu foco está em me preparar da melhor forma possível para estar de volta o quanto antes.

Acredita que conseguirá participar da primeira etapa do Mundial em Nova Iorque?

Infelizmente é pouco provável. Eu vou começar a andar sem muleta nos próximos dias e minha perna ainda está muito fraca, em processo de cicatrização. Eu fiz uma cirurgia de reinserção. Tive que puxar o músculo da minha perna para encontrar o tendão da coxa e ‘ancorar’ ele de novo na bacia. Então, esse é um processo de cicatrização lento e tem um tempo grande para ficar bom. Meu foco é agora voltar 100% recuperado e até com um condicionamento físico melhor do que antes. É uma questão de calma e de como lidar com a situação para que tudo se resolva da melhor forma.

Quando voltar pra água, Caio pretende explorar mais o foil: “Parece quando a gente começou a surfar de stand up”. Foto: AP.

Cada vez mais vemos atletas usando pranchas foil, inclusive você e seu irmão já lançaram alguns vídeos. Qual a sua visão sobre isso e você pretende explorar mais esses equipamentos quando voltar pra água?

Foil é muito irado! Parece quando a gente começou a surfar de stand up. A gente estava muito fissurado e estamos sentindo isso com o foil. É alucinante! Você abre a sua cabeça. Te dá outra perspectiva do mar. Reforça esse conceito do “Waterman”, pois você olha muito o mar, avalia o vento… Qualquer alteração você já fica atento, uma ondulação, um balanço na água. Enfim, o foil abre um leque de possibilidades. O Ian (Vaz) tá arrebentando! Antes do acidente eu já tava meio pra trás, agora então ele tá bem na frente! Mas eu fico muito feliz de ver arrebentando e isso me estimula muito.

Pra encerrar, aquela pergunta que eu sempre te faço (risos): veremos o Caio Vaz participando de mais provas de SUP Race no futuro?

Acho que sim. Não é um foco meu, mas é um treino muito complementar ao SUP Wave, me ajuda muito. Quando eu tô treinando Race fico com um condicionamento muito bom e mais preparado pros campeonatos de Wave. E uma coisa interessante é que antes de voltar a surfar eu vou poder remar de stand up, nadar, remar de paddleboard, remar de canoa e essas modalidades vão aparecer agora na minha vida antes do surfe de novo. Na verdade só de estar me movimentando e fazendo alguma coisa já vou estar muito feliz. O mais difícil pra mim tem sido ficar parado!

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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