Remando com Pedrinho | Brasileiro de Va’a

A primeira etapa do Brasileiro de Va’a mostrou uma evolução no nível dos atletas. Foto: Arquivo pessoal

Depois da minha temporada no Hawaii ano passado, o Brasileiro de Va’a foi a minha primeira competição aqui no Brasil. Estava ansioso para ver o nível dos atletas, colocar em prática alguns dos ensinamentos que aprendi nas ilhas havaianas e ver o quanto tinha evoluído. Além disso, sabia que a prova seria de alto nível.

Graças a Deus a canoa vem se renovando e lançando novos nomes no esporte. Alguns atletas que não conhecia antes da viagem e que estão remando muito bem. Fico muito feliz de ver essa renovação. O esporte só tem a ganhar.

Sei que água parada não é muito meu forte, mas tinha me preparado para essa situação. Fiz alguns treinos no canal de Vitória para me acostumar com a cadência de remada, visto a densidade da água ser diferente, mas sabendo que a maré influenciaria no desempenho. Mesmo assim, estava me sentindo muito bem preparado.

Treinos no canal de Vitória para me adaptar à condição de “flat water”. Foto: Arquivo pessoal.

LARGADA

Sabia que o começo de prova seria muito puxado e não poderia dar mole, para não perder o pelotão da frente, mas com a consciência que não podia fazer nenhuma loucura. Não deixar o ritmo subir muito, com isso o batimento elevar, empedrar o antebraço e etc.

Fiz uma boa largada, consegui me posicionar bem no pelotão logo no começo, entre o terceiro e quarto lugar, mas já vendo que o Murilo e Rogerio tinham colocado uma pequena frente. Junto comigo vinham Cadu Zaidan, Douglas Dias e Leão.

Acredito que com 3 ou 4 km de prova eu e Cadu conseguimos despontar uma pequena diferença do nosso pelotão e abrir uma vantagem. Fomos lado a lado, bico a bico até as boias.

MOMENTO CHAVE

Logo antes de contornar as boias sabia que deveria puxar o ritmo para tentar tirar a diferença que o Rogerio tinha colocado ou até o Murilo que estava um pouco mais a frente. Eu e o Cadu passamos a puxar um a outro, na tentativa de mudar o jogo.

Eu e o Cadu brigando remo a remo até a linha de chegada. Foto: Carla Falleiros.

Fiquei surpreso que pouco mudou no tabuleiro. Conseguimos diminuir um pouco a distância para o Rogerio, entretanto o pelotão de trás também diminuiu a diferença de nós. (Todos estavam muito preparados, e estavam dispostos a tudo).

RETA FINAL

Com praticamente todas as posições mantidas, chegamos no últimos quilômetros de prova. Durante o decorrer da disputa havia algumas ondulações feitas pelos barcos de apoio, das quais todos os remadores podiam tirar algum proveito.

Infelizmente para mim, uma dessas ondulações entrou nos 600 m finais da prova, onde eu e o Cadu disputamos a prova bico a bico a terceira colocação.

Sorte pro Cadu, que teve mais foco e sensibilidade na hora e conseguiu aproveitar o balanço e colocar uma pequena diferença frente em mim. Tentei uma reação, mas é claro que o Cadu não ia aliviar e defendeu com unhas e dentes sua posição. Dito e feito.

Terminei a prova satisfeito com o resultado, mas sabendo que faltou muito pouco para subir no pódio. Verifiquei que a distância para o primeiro colocado, Murilo Pinheiro, e o quarto colocado, eu, foi de apenas de 1 minuto.

Murilo Pinheiro o cara a ser batido na V1R. Foto: Carla Falleiros.

Percebo que Murilo continua a ser o cara a ser batido. Mas cada vez mais as disputas tendem a ficar apertadas e emocionantes. E com uma galera nova que promete dar muito trabalho.

Bertioga promete fortes emoções. É claro, se não tivermos um percurso cheio de boias. O que parece se encaminhar.

Vale destacar as outras categorias também. Na V1R (OC1) Feminino, Gabi Latini confirmando seu favoritismo, assim como a Monica Pasco na V1. Ambas em primeiro lugar em suas respectivas categorias. Mas não por isso, nada garantido. As disputas entre as mulheres também prometem.

Na V1, cada vez mais o nome do Robert Almeida vem se consolidando. Ele que foi campeão brasileiro ano passado na categoria. Conseguiu defender muito bem seu título, terminando essa prova em 1º.

Alguns dos destaques na prova, em sentido horário, da esq. para a dir.: Gabi Latini, Robert Almeida, Paulo dos Reis e Monica Pasco. Fotos: Carla Falleiros.

Surpresa esse ano foi o Paulo dos Reis migrando para a V1, já que foi o campeão ano passado na V1R. Nessa prova ele terminou em segundo, logo à frente do pentacampeão Brasileiro Cauê Serra.

Essa disputa também vai ser muito interessante de se ver no mar. Bertioga promete fortes emoções e consequentemente coroando o campeão de 2018 em suas respectivas modalidades.

Meu companheiro de equipe Taho’e Cauê Serra subiu mais uma ves ao pódio em uma prova nacional de Va’a. Foto: Carla Falleiros.

Não posso deixar de dar os parabéns para a galera de São José, que mostrou de uma forma brilhante como se organiza uma competição. Deu show em todo os aspectos. Padrão esse que deve ser seguido nas demais etapas.

E, é claro, a premiação dada em dinheiro. A mais bem remunerada no esporte que eu já vi. Isso só tem a estimular mais os competidores.

Agradecimento especial à galera da Spot, que me mantém seguro em todas minhas aventuras e me proporciona isso tudo.

Grande abraço a todos e nos vemos na próxima etapa!

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