Por que remar de OC1?

Colunista do Aloa Spirit Club, o capixaba Pedro Henrique Weichert é um dos grandes nomes do Brasil na OC1. Foto: Reprodução.

As canoas polinésias estão cada vez mais ganhando popularidade no Brasil. Primeiro, o boom das OC6 (canoa para seis remadores) e agora começa a aumentar o número de adeptos das canoas individuais, as OC1. Muitos em busca de um cross training, outros procurando aperfeiçoar sua técnica de remada e outros apenas atraídos por mais uma forma divertida e saudável de estar em contato com a natureza.

Por isso, preparamos algumas dicas para quem esta pensando em se aventurar com uma canoa OC1.

POR QUE REMAR DE OC1?

Simples: porque é divertido! Mas é diversão de primeira. Para quem já rema de SUP, então, é uma excelente oportunidade para melhorar a técnica de remada e fazer ajustes finos de postura. Isso porque a posição do remador, mais próximo da água, e o remo mais curto, permitem observar com mais atenção o momento e a forma em que o remo entra e sai da água. Além disso a OC1 é bastante veloz e desenvolve melhor no up-wind (remada contra o vento).

CONSIDERAÇÕES GERAIS

As canoas OC1 ocupam bastante espaço. Isso significa que você precisará dispor de uma garagem grande ou uma guarderia, já que é impossível acomodar uma dessas em um apartamento.

Lembre-se de que você precisa de espaço para acomodar a canoa em si e seus estabilizadores, que são a ama e os dois iacos (sim, ocupa espaço!).

O transporte também é mais complexo, mas perfeitamente viável. O mesmo rack que transporta um SUP, transpora uma OC1, porém, lembrando que deve haver espaço para os iacos e a ama. Além disso, regras de trânsito devem ser respeitadas para que não ocorra nenhum tipo de infração. Sobre esse tema recomendamos a leitura do artigo “Como transportar sua nave dentro da lei”.

Outro ponto que merece atenção: As OC1 (sem a ama e os iacos) normalmente são mais leves do que um SUP (que por si só já é bem leve em relação a seu tamanho). Por isso fique atento a maneira como ela é afixada ao rack e tome cuidado com rajadas de vento.

Composição básica da OC1: corpo, iacos, ama, pedais que controlam o leme e o leme (submerso). Foto: reprodução.

DANDO AS PRIMEIRAS REMADAS

Mesmo que você tenha experiência na remada de SUP ou caiaque, haverá um processo de aprendizado.

Primeiro é necessário adaptar seu corpo à nova postura sobre a canoa, remada e equilíbrio. Em seguida, você terá que aperfeiçoar essas técnicas de maneira a tornar a experiência de remada mais prazerosa e eficiente possível.

Participe de clínicas, pesquise sobre os livros e textos de Steve West (um dos maiores estudiosos do assunto no mundo, com vários livros e artigos publicados), veja vídeos no YouTube e converse com remadores mais experientes. Há um grande senso de comunidade entre os remadores. Faz parte de nossa cultura abraçar e ajudar os novatos.

Outro ponto importante para quem vai começar a remar de OC1 é saber nada. Sim, parece meio óbvio, mas é importante lembrar. Isso porque essas canoas são instáveis e podem virar em um momento de oscilação, seja causada por uma onda ou rajada de vento, ou desequilíbrio.

Por isso, o ‘huli’, que se consiste no ato de virar e desvirar a canoa, é uma prática que deve ser dominada por todos os remadores de canoa polinésia. Especialistas recomendam que o huli seja praticado sempre antes de sair para remar, principalmente entre os iniciantes.

O domínio da técnica de huli consequentemente trará mais controle da ama (que é o estabilizador lateral à esquerda da canoa).

Quando você chega nesse estágio, de dominar o huli e controlar a ama, verá que sua remada estará bem mais confortável e eficiente.

Remar de OC1 é também uma prática de constante evolução. Não tenha medo de brincar com a modificação da posição do seu assento, nem com o balanço de seu corpo, ou estilo de remada. Busque sempre evoluir sua técnica, mas sem jamais abir mão do conforto.

Raysa Ribeiro já realizou várias travessias a bordo de uma OC1, entre elas, uma remada de Niterói a Ilha Grande ao lado de sua amiga e incentivadora Luiza Perin, feita em 17 h. Foto: arquivo pessoal.

REMADAS LONGAS

Em tese, quem tem uma canoa é porque gosta remar longas distâncias. Afinal, essa é a essência do va’a.

Obviamente as distâncias vão aumentando na mesma proporção em que sua experiência torna-se mais sólida. No entanto, é uma boa ideia investir em roupas e equipamentos de qualidade desde o início, bem como entender quais são os alimentos e repositores energéticos mais indicados para cada tipo de remada e, claro, água!

Lembre-se também de sempre fazer paradas para esticar as pernas, alongando-as suavemente. Essa prática é altamente recomendável, sobretudo em remadas mais longas.

CULTURA E ESPIRITUALIDADE

Ritual de batismo de uma canoa polinésia. Entre as atividades esportivas ligadas aos povos polinésios, o Va’a é aquela que mais preserva suas raízes. Foto: Luciano Meneghello.

Entre os mais conhecidos esportes de matriz polinésia, entre eles, o surfe e o stand up paddle, é o va’a aquele que mantém sua essência mais preservada.

O va`a foi considerado por muitas culturas do Pacifico como uma entidade viva, fornecendo um link direto para toda a sua existência. Era um meio de colher comida do oceano, uma maneira de viajar perto ou longe e, ocasionalmente, um veículo para a guerra e recreação.

No passado, para o processo de fabricação de uma canoa, uma árvore seria abatida e esvaziada, sofrendo, em certo sentido, um processo de morte e renascimento através das mãos de “seu criador”, e manteve com ela uma grande importância espiritual.

Hoje, as novas tecnologias transformaram a concepção de uma canoa em um processo industrial, mas a noção de conexão e espiritualidade ainda vivem. Principalmente nos batismos da canoas maiores, para seis remadores. Viver esse momento traz não só uma sensação de pertencimento, mas, também, um sentido mais profundo ao ato de remada.

O FATOR DIVERSÃO

Sabemos que à medida que a canoa assume uma parcela importante do seu tempo, é bem provável que em algum momento você se sentirá tentado a participar de uma competição – o que é ótimo.

Porém, a diversão é o mais importante. E que me perdoem os puristas ou os atletas natos, mas em um mundo cada vez mais sisudo e tecnológico, você terá aqui uma chance de se conectar com a natureza e consigo mesmo de uma forma bem peculiar e profunda. Deixar isso de lado é um tremendo desperdício!

EPÍLOGO: V1 X OC1

Ausência de leme e copckpit são as diferenças mais acentuadas da V1 em relação a OC1. Foto: Reprodução.

Existem dois tipos populares de canoa polinésia para uma pessoa: A OC1, ligada diretamente com a cultura havaiana, e a V1, ligada diretamente com a cultura taitiana. Ambas possuem estrutura muito semelhante, sendo a ausência de leme e o cockpit presente na V1 a característica mais acentuada na diferença entre ambas.

Por conta do crescimento e fortalecimento da IVF – International Va’a Federation que preconiza a realização de suas provas oficiais em canoas V1, tendência a ser seguida pela CBVAA , veremos nos próximos anos um aumento no número de V1. São canoas rápidas mas que exigem mais técnica do remador, sobretudo no manuseio do remo, que aqui compre também o papel de leme.

Fique ligado nas próximas atualizações do AlohaSpiritClub onde vamos trazer mais informações sobre as canoas V1. Aloha!

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About the author

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello

Luciano Meneghello é Editor-chefe do Aloha Spirit Club. Pioneiro na produção de conteúdo direcionado a esportes de água como SUP, va'a e paddleboard, foi fundador da Revista Fluir Standup e do site SupClub e tem artigos publicados em diversos veículos do segmento, como revista Go Outside, Alma Surf, site Waves, entre outros.


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